domingo, 31 de dezembro de 2017

2017


Lembro que estava com meu pai e minha mãe no quintal de casa, na véspera do algum reveillon na minha infância. Eu brincava com uns bonecos no meio de uma montanha de tijolos e meu pai capinava o mato que já batia no meio da canela. Minha mãe ia e vinha de casa, estendendo umas roupas no varal. Eu lembro que perguntei, como quem pergunta o que vai ser o almoço, de onde vinha o ano novo e pra onde ia o ano velho. Meus pais riram da pergunta. Eu eventualmete ia aprender que, assim como muita coisa na vida, os anos vem de lugar nenhum e vão pra lugar nenhum. 
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Uma vez eu estava muito triste, meu pai segurou a minha mão.


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Quatro artistas


As pessoas que eu cito como referências são artistas que ajudaram a criar meu traço e me motivaram. Muitos são mais velhos, estão estabelecidos e são de outra realidade cultural. Eles foram importantes pra mim, mas eu percebi desde 2015 que existem alguns artistas tão únicos e inspiradores quanto esses,  que na verdade são os que eu mais acompanho o trabalho atualmente. Estes últimos estão aqui perto de mim, tem a minha média de idade e passam pelos perrengues que eu tenho passado. E eu amo isso, porque eu entendo os dramas e isso me inspira a passar por cima dos meus próprios problemas. Ao mesmo tempo eu quero que eles tenham muito sucesso e que o mundo saiba da existência deles como sabem quem é a Loish e o Matt Forsythe. Esses quatro artistas são todas mulheres aqui do Brasil e cresceram tanto em 2017 que 2018 vai ser pequeno demais pro talento. Como admirador, eu quero estar aqui sentadinho vendo isso acontecer.

Irena Freitas. Eu conheço o trabalho da Irena há um tempo e vi como o traço dela mudou. Apesar de gostar do traço dos anos passados, não poderia ter ficado mais feliz com o que ela tem criado e ver isso como uma evolução. Em 2017 ela fez alguns dos trabalhos mais magníficos e autorais que eu vi. As cores em formas sinuosas, as linhas interrompidas e as texturas junto com a variedade de personagens que ela coloca no desenho deixam muitos dos novos desenhos parecendo uma espécie de parada de rua, que você leva tempo pra absorver todos os detalhes. Eu amo isso porque é como uma explosão de informações. Melhores do que as formas fechadas do estilo anterior, as linhas dão muito mais dinamismo aos desenhos. Alguns dos trabalhos dela que eu adoro são essa historinha que ela fez pra BBC, o desenho de Porto <3 e esse aqui embaixo, meu preferido.

Twitter / Portfolio / Instagram
Nicole Janér. Eu vi a Nicole dar uns passinhos discretos na internet em 2016 e já fiquei bastante atento a ela. Bom, mal sabia eu que em 2017 ela acabaria comigo em todos os aspectos. É da Nicole meu Inktober preferido de 2017 e eu não preciso falar muito pra ele ser também o de quem lê esse texto, porque ele é tão rico de informações de personagem que eu tremo na base de pensar. A arte da Nicole pra mim esse ano se tornou algo muito convidativo porque ela parece que vai muito além do desenho e eu sou fascinado por essa profundidade conceitual. Várias vezes me peguei pensando “ok, esse desenho esta escondendo algo de mim… que universo é esse? O que a Nicole esta querendo mostrar aqui? Em que livro eu posso saber mais disso?” Não bastasse essa inquietação, o traço dela é também muito único e eu diria que até “místico”.  Meus desenhos favoritos dela são como eu disse a série incrível de magos que ela fez em 2017.

Twitter / Instagram

Clari Cabral. A Clari eu conheci ainda em 2015 e desde lá ja tinha me chamado atenção o estilo muito muito característico. Acho que esse ano ela floresceu muito no traço e nas cores, especialmente durante o mermay, que é um dos trabalhos dela que eu mais gosto. Também sinto que a Clari tem um universo muito particular e acho que é por isso que me identifico bastante com a arte dela. Além, claro, do desenh ter um tom pueril muitas vezes, como o meu tambem tem. Espero que ano que vem ela desenhe bastante e surpreenda ainda mais.

Twitter / Instagram
Isadora Zeferino. Assim como a Irena, eu tenho seguido a Isadora há algum tempo, vejo como ela trabalha e fico pasmo com o tanto que ela produz. A Isa é uma das artistas que mais me inspiram a continuar desenhando e mostrando meu trabalho. Em 2017 ela sapateou no instagram com a arte digital. Eu lembro que no início do ano a gente fez um collab de star wars e ela tava ainda se adaptando a esse método e olhando agora… como ela dominou isso. Acho incrível a forma que ela mantem o traço e consegue transferir desenhos complexos de tinta pra versão digital. E ela fez isso maravilhosamente bem nas garotas baseadas em estilos artísticos, que são os desenhos dela que eu mais gosto esse ano. Acho que ela vai crescer ainda mais ano que vem tanto no trabalho digital quanto na exposição que ela tem na mídia e o sucesso dela coloca um sorriso no meu rosto.

Twitter / Instagram 
Em comum todas elas tem o traço muito característico e eu sinto que, além disso, existe algo muito pessoal e de expressão identidade no que elas fazem. Feliz que elas sejam únicas, competentes, por serem brasileiras e estarem aqui, próximas, acessíveis <3 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Life goes on

We go on by ourselves and hope that we won't be for long. Then we find someone else it starts again and life goes on

HARD TIMES


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

I cried myself to sleep last night

Escrever sobre o significado de um desenho no geral não é fácil pra mim porque eles são quase sempre a retratação de um monte de sentimento disforme e sem unidade. Mas esse aqui na verdade retrata algo bem delineado que eu to sentindo muito esse fim de ano, que é a insegurança sobre a vida. Essa sombra escura e amorfa que não da pra ser lida e que pode ser qualquer coisa, é a insegurança. As cores são meu desenho e a única certeza que eu tenho hoje. Me sinto bastante conectado a isso e muito feliz e grato.