quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Um milhão de finais felizes

          Todo mundo que me segue em qualquer que seja a rede social nesse momento já deve saber que eu ilustrei a capa do novo livro do Vitor Martins. Eu conheci o Vitor há bastante tempo, desde 2013 ou 2014, ele já era ilustrador na internet e eu vivia minha fase de ilustrador das cavernas (aquele que desenha, mas esconde tudo a sete chaves num blog). Na época ele não tinha canal no youtube ainda e foi só la na frente que ele lançou o primeiro livro "Quinze dias". É curioso como as nossas historias cruzariam hoje em 2018.

Quando o Vitor me convidou pra fazer capa foi uma mistura de felicidade com medo. Era uma sensação que eu queria muito ter a de ir numa livraria e ver seu desenho estampando um livro. Mas criar uma capa implicava suprir expectativas minhas - em primeiro lugar, do Vitor, da editora e dos fãs do Vitor. Eu sempre acreditei bastante no meu trabalho e na minha força de vontade pra fazer algo legal e bonito, mas responder a todas essas expectativas me chacoalhou um pouco. Então eu aceitei e fiquei muito grato pela confiança que eles depositaram em mim. O processo foi muito tranquilo e por mais que às vezes eu sentisse certa insegurança em saber se seria capaz de atingir um resultado bom, eu sempre reafirmei pra mim que faria e refaria a capa até dar certo. Felizmente não foi necessário tanto e logo a gente chegou num resultado legal. Eis a capa, como todo mundo já deve ter visto.




A ideia inicial da capa ja tinha sido planejada pelo Vitor, mas fomos mudando e readequando. Um desafio pra mim foi adaptar a ideia de tecido holográfico ao meu estilo. Eu sabia que não usaria degradê ou um pincel mais suave, então precisei pesquisar e desenvolver algo que não fugisse do meu estilo e fosse agradável visualmente. Até hoje não consigo explicar como cheguei a esse resultado, mas fico feliz que consegui reproduzir ele mais tarde, pro fanart. Eu pedi uma copia do livro antes dele ser editado, pra ler antes de começar qualquer processo. Devo ter lido da tarde de uma sexta pra um sábado à noite e fui fazendo rascunhos de alguns personagens durante o processo. Esses desenhos não foram usados, mas tão aqui.


O livro é ótimo e me identifiquei muito com as vivências e alguns medos do Jonas. Ele tem um tom mais sério que Quinze Dias então a capa precisava ser um pouquinho mais contida. Apesar disso eu não queria que ela perdesse as cores mais vibrantes. Fiquei muito feliz quando acertamos a cor de fundo pra esse tom de vermelho, porque pra mim ele funciona perfeitamente pra chamar a atenção de quem passa. Mas tiveram muitas outras cores e testes.

É legal dizer sobre o processo também que eu não sou designer e que não planejei a diagramação, texto e detalhes mais técnicos da capa. Existem outras pessoas por trás disso. Existe um designer da capa, o Gabriel. O lettering também é todo do Vitor. Acredito que isso vá ser um padrão nos livros dele e foi uma escolha ótima da editora nesse livro, porque -  por enquanto - lettering é uma área que não tenho domínio.

Jonas e Arthur

A experiência de encontrar um livro com uma capa minha é muito boa mesmo. Fiquei feliz no meu cantinho com o feedback que vi das pessoas que compraram o livro e elogiaram. A oportunidade que o Vitor me deu foi uma janelinha de luz que abriu pra mim num momento meio crítico da minha carreira como artista. Eu lembro de dizer pra ele logo depois que aceitei a proposta que me procurasse pelo facebook porque eu ficaria um tempo ausente do resto da internet. Não foi um tempo bom aquele, mas a ideia de ilustrar pra um livro me fez continuar olhando pra frente. Acho que quando algo é feito com muito carinho, esperança e cuidado e recebe muita atenção na produção o resultado é sempre único e aquilo carrega um poder de transformação bom. Então tá aqui minha parcela de culpa nessa produção. Espero que o livro leve algo bom pras pessoas como ele trouxe pra mim. Meu obrigado ao Vitor, as editoras da Globo Alt e a todo mundo que acredita nos artistas jovens e aqueles que ainda estão procurando seu lugar. 

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