sábado, 10 de agosto de 2019

If the car beside you moves ahead

Tem tempo que não escrevo ou mesmo posto qualquer coisa aqui. O que é sintomático já que esse blog conecta comigo de forma mais intrínseca e tenho estado distante desse meu lado. Tenho me sentido inerte e ao mesmo tempo desconectado do desenho, do trabalho e das pessoas ao redor. Vivi situações ruins recentemente e acho que o impacto negativo desses eventos me freou e diminuiu minha sensibilidade. Me sinto mais fechado pro mundo e mais silente, o que mudou minha perspectiva de futuro e tem me deixado perdido.

Nas idas e vindas eu tenho tentado me reconectar com o que eu faço. Voltei a fazer pra mim o desenho que serve como catarse, que funciona como remédio paliativo. Tenho trabalhado de grama em grama em um livro, mas é uma montanha pra escalar sem muita perspectiva do topo. No fim, na maior parte do tempo me sinto sobrecarregado pelas possibilidades e coisas pra se fazer, paralisado.

Existe essa situação cotidiana que me vem a mente agora. Às vezes quando estou num ônibus parado no sinal, olhando pros carros do lado pela janela eu perco um pouco a noção ao redor. Quando o sinal abre e o carro se move mais rápido que o ônibus eu tenho a sensação de que estamos dando ré, enquanto todos aceleram. É uma vertigem, me dá náusea. Daí então essa sensação passa e eventualmente eu percebo que todos estão indo na mesma direção, com velocidades diferentes. Acho que esse agora é o momento de ré, da náusea. E se esse for como todos os outros sinais vermelhos, deve passar e a velocidade se restabelecer.